Entrevista com Erica Horita

A partir de hoje o site de quadrinhos independentes INDCOM irá trazer (tentar) sempre que possível entrevistas com artistas nacionais do meio quadrinístico. Quem inaugura esta nova categoria do site é a desenhista paranaense Erica Horita. A artista que carrega o nome de batismo de Karina Erica Phelps começou atuando em fanzines em 1999, mais tarde lançando a revista Ethora e publicando diversos trabalhos para o cenário de RPG Tormenta de Marcelo Cassaro.

Morando atualmente nos Estados Unidos e atuando paralelamente como vendedora, Erica fechou mais uma parceria com o criador de Tormenta para lançar a revista Hero Party. Erica cedeu gentilmente uma entrevista a equipe INDCOM, que você confere na íntegra abaixo:

INDCOM: Quando começou a desenhar? O que a motivou?
Erica Horita: Comecei a desenhar bem pequena, observando minha tia que é estilista e alguns mangás japoneses antigos da década de 70. Mas, o mangá mesmo, comecei a desenhar quando vi os desenhos das brasileiras Erica Awano e Denise Akemi. Elas me inspiraram muito!

Erica Horita desenvolve o mangá Hero Party em conjunto com Marcelo Cassaro

IC: Sempre quis fazer isso?
EH: Sempre quis sim, mas nunca pensei que o faria. Cheguei a fazer faculdade de Design Gráfico, mas acabei me direcionando aos quadrinhos!
IC: O que mais gosta em desenhar?
EH: Desenhar me tira da cabeça muitos problemas e é como se fosse uma terapia! Adoro criar personagens, imaginar cenários e depois de tudo pronto é gratificante!
IC: Gosta de desenhar seus projetos ou prefere trabalhar em parceria com outros roteiristas? Por que?
EH: Para ser sincera, eu não levo jeito nenhum para escrever histórias! Portanto prefiro trabalhar com roteiristas.
IC: Além de mangá, curte comics (norte-americanas) também?
EH: Eu sou bem eclética, gosto de arte em geral. Aprendi a gostar de comics e graphic novels durante a faculdade, especialmente os quadrinhos do autor Neil Gaiman como Sandman e Orquídea Negra.  Neil Gaiman  Neil Gaiman
IC: Quais seus artistas preferidos (de qualquer estilo)?
EH: Dave Mckean, Akihiro Yamada, Hiroaki Samura, Mike Deodato, Hayao Miyazaki entre muitos outros.
IC: Quais suas influências?
EH: Eu adoro as animações do Studio Ghibli, sempre me inspiram muito para desenhar. Eu busco influências de muitos estilos, fotos, artes diferenciadas. É dificil de citar influências específicas.
IC: Qual seu mangá favorito?
EH: Para dizer a verdade o último mangá que eu li foi One Piece há mais de 7 anos atrás! Mas eu gostei muito de Mugen no Junin (Blade of the Immortal) de Hiroaki Samura.
IC: Algum personagem que gostaria de ter criado?
EH: Eu realmente nunca pensei sobre o assunto, mas eu gosto muito de personagens simples e carismáticos como o Sponge Bob (Bob Esponja), achei genial e gostaria muito de ter essa criatividade, criar algo tão simples, mas com tanta personalidade!
Confesso, assisto todos os dias aqui nos EUA no Cartoon Network e sempre dou risadas!
IC: Quais trabalhos já fez?
EH: Fiz diversos fanzines entre 1999 a 2005, publiquei Ethora pela minha própria editora, fiz diversas ilustrações para o cenário de Tormenta de Marcelo Cassaro, participei da revista Tsunami de Denise Akemi. Também fiz alguns trabalhos freelance para fora do país e desde 2006 estive totalmente parada!
IC: Acredita que seja possível viver de quadrinhos no Brasil?
EH: Eu acredito que seja, desde que o desenhista tenha determinação e saiba cumprir prazos. A Turma da  Mônica é prova de que um bom roteiro e personagens carismáticos vão longe. O negócio é correr atrás dos sonhos.

“Eu estou muito animada e muito feliz por estar produzindo a revista (Hero Party)”.

IC: O que acha dos artistas que tentam viver disso?
EH: Eu acho impressionante, pois eu sei como requer tempo e muito esforço para se publicar. Muitas vezes você deixa de sair com amigos, deixa de passar um fim de semana com a familia, só para terminar um projeto.

IC: Você acha que o país tem mais preferência por mangá ou por comics?
EH: Eu, particularmente, acho que o comics é muito maior que o mangá. O mangá tem um grupo mais dedicado ao estilo, mas o comics tem gerações e gerações a frente do mangá, muito mais seguidores.
IC: Como avalia o mercado de mangá atual no Brasil?
EH: Eu realmente não sei dizer atualmente, pois moro fora do Brasil há mais de 6 anos… Eu sei que continuam imprimindo diversos mangás japoneses e acredito que continua sendo uma forte presença nas bancas.
IC: Sobre sua parceria com Marcelo Cassaro, como surgiu? De onde se conheceram?
EH: Conheci o Marcelo Cassaro através da Erica Awano na época que publicavam a Holy Avenger. Desde então, tenho feito pequenos trabalhos em conjunto e especialmente ilustrações para os livros de Tormenta. É a primeira vez que trabalho com ele em um quadrinho.
IC: O que pode nos dizer sobre Hero Party, a nova história que estão fazendo?
EH: Hero Party é uma série em quadrinhos estilo mangá, baseada nos mundos de fantasia dos jogos de RPG. A intenção é de mostrar um quadrinho simples, de fácil leitura para todas as faixas hetárias.
IC: Já tem alguma previsão de lançamento por aqui? Quanto deve custar, como as pessoas poderão adquirir?
EH: Hero Party é um quadrinho independente, portando não temos previsão para publicação no Brasil. Futuramente, quem sabe, podemos lançar um encadernado, já que a revista terá várias edições, mas ainda é tudo especulação.
Por hora, quem tiver vontade de conferir a revista, pode colaborar com o projeto e dependendo da quantia doada receberá por correio a revista impressa e uma versão digital em português! Mais tarde, a revista poderá ser adquirida online através de nosso website http://www.heropartycomic.com.
IC: Como se sente em relação a este projeto?

Ajude a HQ Independente Hero Party a ser publicada, clicando aqui

EH: Eu estou muito animada e muito feliz por estar produzindo a revista em conjunto com o Marcelo Cassaro. Ele é um excelente roteirista e sempre fui grande fã de seus trabalhos!  É um projeto mais tranquilo, sem intervenção de editoras, portanto faremos de acordo com nosso ritmo e sem preocupações.

IC: Já tem algo em mente ou alguma proposta para após Hero Party?
EH: Por enquanto não, estamos só torcendo para que alcancemos a meta no Kick Starter para que possamos imprimir a revista.
IC: Quer deixar algum recado para os fãs?
EH: Agradeço muito pelo carinho de todos! Muito obrigada pelos comentários e divulgação do projeto. Agradeço de coração.
IC: Qual a dica você deixa para quem quer entrar neste mercado?
EH: O mercado é limitado e a cobrança é grande. Portanto, pratiquem muito e nunca deixem de sonhar. Meu pai me disse uma vez, “Filha, quadrinhos não dão futuro, somente 1 em 1 milhão de pessoas consegue trabalhar com isso”, e eu logo respondi, “Eu vou ser essa pessoa”. Lógico, ainda não cheguei lá,  mas hoje eu entendo muito as palavras de meu pai.
Para ajudar o projeto de Erica Horita e Marcelo Cassaro, Hero Party, ser publicado clique aqui.
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