Entrevista com Eduardo Ferigato

da Redação

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A segunda entrevista do INDCOM traz um convidado muito especial: do desenhista Eduardo Ferigato. Nascido em Campinas, São Paulo, o artista de 35 anos já desenhou para as editoras Zenoscope e Dynamite Entertainment, na qual desenhou o mítico personagem Fantasma. Envolvido no divertido projeto Feira da Fruta em Quadrinhos, onde adapta de forma livre, mas sem perder uma só fala da engraçada redublagem da série sessentista de Batman (se não conhece, clique aqui), o quadrinista nos cedeu gentilmente um pouco do seu tempo para mais um bate papo do site INDCOM. Confira a conversa na íntegra abaixo e aproveite:

INDCOM: Como começou a desenhar?

Quadrinista fala de seus trabalhos

Eduardo Ferigato: Sentado na frente da televisão vendo desenhos. Desde moleque já pegava o papel e ficava copiando os personagens.

IC: O que o fez desenhar histórias em quadrinhos?

EF: Meu pai lia quadrinhos e peguei o gosto com ele.
IC: Como entrou neste mercado?

EF: Depois de alguns anos de cursos na Quanta Academia de Artes. Minhas primeiras HQs publicadas foram quando eu estava na GlassHouse, depois passei para a Art Comics onde fiz o Fantasma. No Brasil publiquei a HQ Fractal, com a Marcela Godoy na Devir e pela editora Ática “O Cidadão Invisível” com roteiro de Ivan jaff.

IC: Quais as séries que já produziu?

EF: Adventures of Sinbad e Cheshire Cat pela Zenescope, e The Last Phantom para a Dynamite. Nessa última trabalhei por 12 edições.

IC: Qual mais gostou de fazer? Qual menos?

EF: Gostei mais do Fantasma e menos da Cheshire Cat.

IC: Como é trabalhar profissionalmente com quadrinhos?

EF: Bom, até hoje pra mim o trabalho com quadrinhos foi como qualquer outro trabalho pra colocar comida na mesa, rs. Não peguei nenhum roteiro que me inspirasse a ponto de que eu faria até de graça (a não ser o Feira da Fruta, rs). Mas sou muito feliz por poder viver da minha arte em qualquer área.
IC: Quais as dificuldades e quais os pontos positivos?

EF: O difícil é todo dia sentar pra fazer uma página, alguns artistas tem essa disciplina de ter uma rotina e horários determinados. Para mim já é mais difícil, tem dia que sento e faço 3 páginas na boa, mas outros dias mal sai uma página e é um parto. Além do resultado não ser lá grande coisa, muitas vezes até refaço a página no dia seguinte. Trabalhar em casa com internet e distrações também não ajuda. A vantagem é fazer seu próprio horário e desenhar umas cenas de gente chutando bundas.

IC: Qual personagem gostaria de desenhar ou de escrever?

EF: Batman, Hellboy, Justiceiro.
IC: Quais HQs tem lido atualmente?
EF: Scalped, Justiceiro Max e Hellboy.
IC: Quais são suas inspirações nos desenhos e nos roteiros?
EF: Frank Miller, Mike Mignola, Ivo Millazo, Goran Parlov, bons filmes, westerns, livros e jogos.
IC: Gostaria de trabalhar com algum roteirista em especial?
EF: Ninguém em especial, Mignola talvez. Hoje em dia o gênero herói me atrai bem menos, tenho curtido mais as linhas adultas como a Vertigo e a Marvel Max.
IC: Como avalia o mercado de quadrinhos no Brasil? Acredita que tenha espaço para novos artistas?

EF: Sempre tem espaço para novos artistas, acho que estamos numa fase incrível a nível de produção e estilo de desenho, Danilo Beiruth, Gustavo Duarte, Eduardo Medeiros, Rafael Albuquerque, Julia Bax, os gêmeos Bá e Moon e Marcelo e Magno Costa, a lista de artistas é tão grande que se fosse citar todos não caberia nessa entrevista. Acho que poderia só começar a rolar mais grana no mercado. O retorno financeiro ainda é muito baixo comparado com o material produzido pela galera aí.

IC: Por que é tão difícil para roteiristas brasileiros entrarem em empresas como Marvel e DC?

EF: Porque é difícil um brasileiro criar uma história em Nova York por exemplo, o contexto cultural é diferente. Mas alguns já estão fazendo isso. Rafael Grampá, Rafael Albuquerque fizeram histórias para editoras americanas com personagens como Batman e Wolverine, agora Mateus Santolouco está criando uma HQ das Tartarugas Ninja para a IDW, roteiro e desenhos. Mas nunca roteiristas vão conseguir pegar uma fatia tão grande do mercado como pegam os desenhistas. Pois culturalmente é mais fácil um brasileiro desenhar NY do que escrever uma história em NY.

Quadrinista diz que gostou muito de desenhar o personagem Fantasma

IC: Quais são seus planos para o futuro? Projetos autorais? Está desenhando alguma HQ para o mercado nacional ou norte americano?

EF: Estou trabalhando em um estúdio e tocando meus freelances publicitários, cinematográficos e editoriais. Para quadrinhos estou desenvolvendo um projeto autoral que quero deixar pronto até o FIQ 2013. Para o mercado nacional só o Feira Da Fruta e para o Americano nada em vista no momento.

IC: E quanto ao projeto Batman Feira da Fruta? Como surgiu essa ideia?

EF: Surgiu de um bate papo besta no FIQ 2011. Mas não é nada genial também, aposto que muita gente tinha essa vontade. Eu só fui o primeiro o por em prática.

IC: Quem está envolvido no projeto?

EF: Eu, Mario Cau, Artur Fujita, Davi Calil, Julia Bax, Vitor Gorino, Caio Yo, Magenta King, Juarez Ricci, Marcelo Braga, Greg Tocchini, Dalton Muniz, Rafael Tavares, Eduardo Schaal, Gustavo Duarte, Amilcar Pinna, Andrei Bressan, Marcelo Maiolo, Roger Cruz, Tainá Camilo, Marco Furtado, Marcelo Costa, Magno Costa e mais alguns que estão para entrar para as próximas páginas.

IC: Como é trabalhar com tantos desenhistas talentosos juntos? Eles abraçaram facilmente a ideia?

EF: Todos eles abraçaram a ideia com um entusiasmo que nem eu imaginava. Nunca achei que tanta gente toparia.

IC: E o que os dubladores do Feira da Fruta acham disso?

EF: Eles adoraram. Conheci depois pessoalmente os dois e temos mantido contato para falar do projeto.

IC: O que pretende fazer com o projeto quando chegar ao fim?

EF: Por enquanto terminar a HQ online. Depois disso vou começar a estudar uma possibilidade de publicação que agrade a todos participantes e aos dubladores.

Feira da Fruta em quadrinhos, ainda em andamento

Quem quiser saber mais do trabalho de Eduardo Ferigato pode acessar o seu portfólio clicando aqui.

 

 

 

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