Liga de Heróis Juventude Brasileira – 2ª Temporada (Episódios 12)

Conto escrito por André Garcia

amdreh@gmail.com

EPISÓDIO 12

A CHEGADA (13:58)

Já é possível ver a nave dos alienígenas no céu. A arena Richard Baker está lotada como não se via desde o último show do U2. As ruas ao redor dela estão cheias de pessoas que vão assistir a luta por telões recém-instalados. Todos querem incentivar e torcer por aqueles que, em poucos minutos, vão lutar não só pela existência da humanidade como da Terra.

Os heróis já estão na entrada da arena e os vilões já se uniram a eles. Mas antes de entrar, Capitão Superstar como líder interino da Liga de Heróis Juventude Brasileira está dando uma breve entrevista coletiva:

— Capitão Superstar! Capitão Superstar! — Gritam os repórteres disputando a atenção do herói.

O herói aponta para um dos repórteres que o pergunta:

 — Você acha que temos chances de derrotar esses alienígenas?

— Não sei. O que eu sei é que os novos chicletes Capitão Superstar duram muito mais tempo e estão ainda mais saborosos. — Ele finaliza fazendo pose para as câmeras com um dos seus chicletes. — Próximo!

— Como é a pressão de ter o futuro do planeta dependendo de vocês?

— O destino da Terra depende de nós, mas ser um assinante do Clube do Superstar só depende de você! Por uma pequena mensalidade, você recebe em sua casa a revista mensal exclusiva, pôsteres, entrevistas, figurinhas, dicas de como ser um grande herói e muito mais. — Ele encerra fazendo outra pose e sorrindo com um exemplar de sua revista. — Próximo!

— O que você, como o líder daqueles que vão lutar pela nossa sobrevivência, tem a dizer para o povo nesse momento tão crítico?

— Eu digo a vocês para não perderem tempo e comprarem agora a nova linha de bonecos do Capitão Superstar. E lembrem-se: vencedores não compram falsificação. — Ele faz mais uma pose para as câmeras com seu boneco e seu comunicador de pulso toca.

— Na escuta.

— Aqui é seu empresário, estou falando através do comunicador do Vidente. Está na hora de encerrar a entrevista.

— Mas o que eu digo?

— Leva o comunicador até o ouvido e repete o que vou dizer.

Capitão Superstar obedece e diz no microfone:

— Sem mais perguntas. Os alienígenas podem chegar. A qualquer momento. E precisando estar preparados. Precisamos. Ah tá, entendi! Precisamos estar preparados. Por favor. Respeitem o cordão de isolamento. Não queremos que ninguém se machuque. Durante a batalha. Obrigado pela compreensão. Só isso? E agora eu faço o quê? Ok.

Capitão Superstar sinaliza para os outros heróis, eles passam pelo cordão de isolamento e entram na arena em fila indiana sendo ovacionados pela multidão. Eles se preparam durante alguns minutos e, quando a nave está a poucos metros do chão, o comunicador de pulso do Capitão Superstar volta tocar:

— Na escuta.

— Sou eu de novo. Gato Preto ou Voador apareceram?

— Nenhum dos dois. Não conseguiram contato com eles?

— Não. O comunicador do Voador também está indisponível, deve ter dado problema por causa do Gato Preto.

— Conseguiram pensar num outro plano aí?

— Nada bom o bastante.

— E agora? Não temos Gato Preto nem plano! Assim não vamos ter chance!

A nave aterrissa e o silêncio na arena é absoluto.

— Enrola a batalha. Tenta ganhar tempo até Gato Preto aparecer.

— Não dá, não vou conseguir!

— É sua chance de ser o centro das atenções na arena lotada.

— Beleza, eu dou um jeito, pode deixar! Faz um favor pra mim?

— Sim.

— Fala para o Vidente me avisar assim que conseguir prever o resultado da batalha.

A porta da nave se abre e os alienígenas saem dela. O baixinho, que segura um microfone, diz:

— Povo da Terra, nós vam…

Antes que o alienígena pudesse falar, Capitão Superstar arranca o microfone de sua mão, o empurra para o lado e diz:

— Povo da Terra… Quer dizer, caros cidadãos. É um grande privilégio estar aqui para defender vocês. Eu dou minha palavra de que vou acabar com esses alienígenas e… É… Todo mundo vai viver em paz e… Essas coisas assim. Eu… É… Droga… Eu estou é… Honrado por… É… Eu vou acabar com esses alienígenas idiotas e… Assim, a Terra vai continuar, sabe? Vai ser… Normal. Continuar normal. E…

— Olha só. — Interrompe o alienígena mais alto. — Dá pra ser mais rápido? Temos um encontro em nosso planeta ainda hoje.

— Espera aí, não se mete não. — Responde Capitão Superstar ao extraterrestre e volta a dizer no microfone: — Bom… Eu gostaria de aproveitar essa oportunidade e recitar uma poesia que escrevi especialmente para essa ocasião. Deixa só eu pegar aqui e… É… Ih, deixei no outro uniforme. Mas, enfim, então eu conto a minha história para vocês. Meu pai veio de uma família humilde do interior e, quando tinha 10 anos…

— Chega! — Diz o alienígena mais alto, tomando o microfone do herói. — Vamos começar logo. São 14:15, vocês têm até no máximo 14:45 para nos derrotar se não o planeta de vocês vai virar pó. Um, dois, três… Já!

A nave dispara um raio de energia no centro da arena, arremessando terra, pedaços de concreto e os heróis para todas as direções.

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