Liga de Heróis Juventude Brasileira – 2ª Temporada (Episódios 15 e 16)

Conto escrito por André Garcia

amdreh@gmail.com

EPISÓDIO 15

O FIM

Marolinha

Atrás de um monte de terra estão os dois únicos heróis que restaram na arena: Capitão Superstar e Marolinha.

— O que nós vamos fazer agora, Capitão?

— Não sei. Pensa em alguma coisa!

— Bom, geralmente o Marôla é quem bola os planos e… Você está tremendo?

— Claro que não! Não seja idiota.

— Está sim.

— É que está frio.

— Está fazendo mais de 30 graus.

— Não é só porque você está com calor que todo mundo tem que estar também!

— Você está chorando?

— Lógico que não, deixa de ser bobo.

— Seus olhos cheios de lágrimas.

— É porque eu estava lembrando a parte em que Michael Jackson morre em Moonwalker.

— Mas o que vamos fazer agora?

— Não sei. Você tinha que ter pensado em alguma coisa ao invés de ficar aí falando asneiras e…

— Aí estão vocês! — Dizem os alienígenas pegando desprevenidos os heróis que começam a correr e gritar pela arena.

— O que vamos fazer, Capitão?

— Porra! Parece um papagaio! Só sabe falar isso? Já disse que eu não sei!

Marolinha se sente puxado e é atingido pelo raio paralisador.


Capitão Superstar

Enquanto corria com Marolinha, Capitão Superstar olhou para trás, viu os alienígenas apontando suas pistolas para ele e não hesitou em agarrar o ajudante mirim e colocá-lo na direção dos disparos. O herói atravessa a arena correndo e usando Marolinha como um escudo para bloquear os disparos até que encontra outro lugar onde pode se proteger.

A salvo por alguns segundos atrás de uma pilha de concreto, o último defensor da Terra larga Marolinha no chão e diz em seu comunicador de pulso:

— The Tetive?

— Na escuta.

— Meu empresário está com você?

— Sim.

— Deixa eu falar com ele.

— Na escuta, Capitão. Como estão as coisas aí?

— Péssimas! Só eu sobrei aqui! Algum sinal do Gato Preto e do Voador?

— Não, nada.

— Vocês conseguiram pensar em algum outro plano?

— Infelizmente, ainda não. O que você vai fazer?

— A única coisa que um herói poderia fazer numa situação como essa. Tenho que desligar.

Capitão Superstar encerra a conexão, rasga algumas partes de seu uniforme, passa terra no rosto e se deita no chão imóvel, imitando a posição e a expressão dos outros heróis. Quando os alienígenas chegam até ele, ficam confusos.

— Ué, você acertou ele? — Pergunta o alienígena mais alto.

— É… Acho que sim.

— Acabou então, né?

— É… Acho que sim.

— Foi mais fácil do que eu imaginei.

Os dois começam a caminhar em direção à nave.

— Isso porque não foi você que o grandalhão psicótico bateu no chão com toda a força.

— Vamos embora. Vamos deixar a bomba aqui e, quando a gente passar da Lua, detona.

— Não, melhor detonar quando a gente passar de Marte, se não vai encher a nave de pó e eu que vou ter que lavar.

— Quer levar alguma coisa daqui antes de ir embora?

— Tem CD do MasterShield aqui?

— Não, essa banda não existe na Terra. Tem Foo Fighters.

— Isso é banda de garota!


Capitão Superstar

A nave dos alienígenas já está no ar quando Capitão Superstar se senta no chão desolado e seu comunicador de pulso toca:

— Superstar na escuta? Aqui é o Vidente.

— Já sei. Perdemos e o planeta vai ser…

— Vencemos.

— O quê?

— Vencemos.

— Do que diabos você está falando?

— Olha para cima.

Capitão Superstar obedece e, por um instante, não acredita no que seus olhos veem.

— Vencemos! Olhem para o céu! Vencemos! — Grita ele para os espectadores apontando para o céu e vibrando. Logo todos os nas arquibancadas da arena fazem o mesmo.

EPISÓDIO 16

A VITÓRIA

O Milagre (14:45)

Os heróis foram derrotados e é só questão de tempo para a Terra ser destruída. Do lado de fora da arena o caos se instaurou nas ruas. Pessoas desesperadas corriam sem direção, saqueavam vitrines, brigavam ou choravam. As ruas congestionadas por carros que tentavam em vão ir para algum lugar. Nada mais importava, já que todos sabiam que estavam diante de seus últimos instantes de vida.

Uma pessoa olha para o céu surpresa e incrédula e a curiosidade faz com que outras também olhem. Logo todos estavam olhando para o céu vendo a nave dos alienígenas explodindo. Toda a cidade foi tomada por uma grande comemoração.


Voador e Gato Preto (14:42)

Pouco antes de o Capitão Superstar receber as boas novas do Vidente, Gato Preto e Voador finalmente estão a poucos metros da arena. Esse último com o uniforme rasgado, ralado, com hematomas e usando uma vassoura como muleta.

— Chegamos!

— Nem acredito que ainda estou vivo… — Diz Voador.

— Como será que está a luta? — Voador para olhando assustado para o céu. — O que foi?

— Eles perderam…

— Como sabe disso?

— Olha lá no céu, a nave está decolando! Temos que ir pra lá agora, só tenho que tomar o remédio e… — Voador põe a mão no bolso e sente como se sua espinha congelasse. Ele havia se esquecido de trazer consigo o remédio que precisava tomar para superar seu medo de voar.

Frustrado o herói cai sobre seus joelhos, sabendo que ele era a última esperança do planeta. Mas enquanto olha para o céu com os olhos cheios de lágrimas e vê a nave dos alienígenas se afastando da arena, ele ouve uma voz dentro de si mesmo dizendo que ele é capaz. Ele percebe que sim, ele é capaz. Ele se levanta, percebendo que sua coragem e sua força de vontade não são efeitos de nenhum remédio.

— Voador, você está bem?

Voador olha para a vitrine saqueada em que eles estão em frente, vazia com exceção de um paraquedas.

— Pega o paraquedas. — Diz ele para Gato Preto.

— O quê?

— O paraquedas! Agora!

Voador sabia que tudo de que ele precisava estava dentro de si mesmo. Ele havia derrubado suas barreiras interiores que antes o impediam de usar seu poder. Não havia mais nada que pudesse impedí[N1] -lo de voar e de coroar a libertação de seus traumas com a glória de ser não só um grande herói, mas o herói que salvou o planeta.

Gato Preto veste o paraquedas e Voador levita do chão o puxando pelos braços.

— Mas você não…

— Agora não, Gato Preto. Temos que salvar o mundo!


A Vitória (14:44)

Voador e Gato Preto sobrevoam a arena e as milhares de pessoas lá dentro comemoram. Alcançando a nave, Voador deixa Gato Preto na asa, se afasta e observa. Ele não pode fazer mais nada. Ninguém pode fazer mais nada além de esperar e torcer. Toda a atenção do planeta está voltada para a nave.

Uma pequena explosão pode ser vista, seguida de uma maior. Segundos depois, ocorre uma série de explosões e a nave começa a perder velocidade até que ela finalmente explode. O controle de ativação da bomba que estava lá dentro também foi destruído, todas as luzes da bomba se apagam. A Liga de Heróis Juventude Brasileira salvou a Terra!


A Tão Esperada Glória do Voador (14:50)

Todos os heróis já se recuperaram do efeito da pistola paralisadora. Todos estão comemorando, exceto Capitão Marôla que está numa ambulância a caminho do hospital, ainda desacordado e Voador que ainda estava no ar. Gato Preto havia escapado da explosão usando seu paraquedas e Sacanageiro fez o mesmo usando um dos paraquedas dos alienígenas e roubando os outros dois antes de saltar.

O comunicador de pulso do Capitão Superstar toca.

— Superstar na escuta? — Diz Voador.

— Atenção pessoal! Silêncio! Silêncio! — Grita Capitão Superstar. — O herói do dia está falando comigo aqui no comunicador, vamos ouvir o que ele tem a dizer. Vou colocar no microfone. Pode falar, Voador!

— É… Superstar?

— Onde você está? Estão todos aqui querendo te parabenizar!

— É… Estou aqui em cima ainda.

— Então desce logo!

— Não posso…

— Por quê? Você não venceu seu medo de voar?

— Sim… Mas acabei de descobrir que meu medo nunca foi subir e sim descer. Chama um helicóptero pra me buscar aqui em cima? Eu estou com medo… — Diz Voador com sua voz trêmula saindo nos alto-falantes da arena.

Segundos depois, a arena explodiu num coro tão alto que pôde ser ouvido até lá de cima:

— Viadinho!!! Viadinho!!! Viadinho!!! Viadinho!!! Viadinho!!! Viadinho!!!

Na Inglaterra, todas as pessoas que estavam em suas casas assistindo à batalha pela televisão gritavam:

— Homo!!! Homo!!! Homo!!! Homo!!! Homo!!! Homo!!! Homo!!! Homo!!!

No México:

— Maricón!!! Maricón!!! Maricón!!! Maricón!!! Maricón!!! Maricón!!! Maricón!!!

Na Alemanha:

— Schwule!!! Schwule!!! Schwule!!! Schwule!!! Schwule!!! Schwule!!! Schwule!!!

Na Macedônia:

— Rej!!! Rej!!! Rej!!! Rej!!! Rej!!! Rej!!! Rej!!!

Na Turquia:

— Nonoş!!! Nonoş!!! Nonoş!!! Nonoş!!! Nonoş!!! Nonoş!!! Nonoş!!!

Na Lituânia:

— Gėjus!!! Gėjus!!! Gėjus!!! Gėjus!!! Gėjus!!! Gėjus!!! Gėjus!!!

Na Bulgária:

— педераст!!! педераст!!! педераст!!! педераст!!! педераст!!! педераст!!! педераст!!!

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