Liga de Heróis Juventude Brasileira – 2ª Temporada (Episódios 17 – Final)

Conto escrito por André Garcia

amdreh@gmail.com

EPISÓDIO 17

CAPITÃO MARÔLA E MAROLINHA

Capitão Marôla e Marolinha (um mês depois)

Após a luta contra os alienígenas, Capitão Marôla foi levado ao hospital em coma. Alguns dias depois ele despertou e teve uma excelente recuperação. Hoje, um mês depois, ele já voltou a ativa e se recuperou de todas as sequelas do soco do TNT, exceto o sangue na urina.

Capitão Marôla e Marolinha estão sentados no refeitório do QG da Liga. Marolinha nota que seu tutor está mais quieto do que de costume e com uma expressão estranha, então pergunta:

— Capitão, você está bem? Você parece preocupado…

— É o meu pai…

— O que houve? Ele está doente?

— Pior…

— Morreu?

— Pior ainda… Ele voltou.

— Voltou? Como assim?

— Meu pai era um herói da antiga geração, sabe, antes de as pessoas terem poderes. Ele era o Major Marôla. Eu comecei como ajudante juvenil dele quando era mais novo, eu fui o primeiro Marolinha. Depois com o tempo ele se aposentou e eu segui sozinho como Capitão Marôla até que surgiu a Liga de Heróis e eu ingressei nela.

— Legal!

— Não. Não é legal, você não conhece o meu pai.

— Quando você diz que ele vai voltar, quer dizer que…

— Vai voltar à ativa e fazer parte da Liga.

— Como é o uniforme do seu pai?

— Meu tipo o meu, só que mais estilo militar.

— Então é ele quem está vindo aí.

— Onde?

Uma mão toca o ombro do Capitão Marôla e então ele ouve uma voz:

— Marôla, meu filho!

— Oi pai… — Diz Capitão Marôla com um sorriso amarelo no rosto.

— Quanto tempo faz desde a última vez que estivemos em ação não é?

— Olha, pai, eu e o Marolinha estamos fazendo planos para uma missão, então é melhor você…

— Me juntar a vocês! Grande Ideia! Vamos relembrar o passado, agora com o Marolinha, a Família Marôla!

— Ok… Mas primeiro me deixa repassar o plano com o Marolinha, ok? — Capitão Marôla abre a planta de um prédio na mesa. — Essa é a entrada principal que é a mais vigiada. Desse lado daqui…

— Marôla. — Interrompe o Major. — Que isso?

— Isso o quê?

Major Marôla pega o refrigerante do seu filho e o derrama sobre o mapa.

— Isso. Fazendo plano em papel? Com toda tecnologia que temos você faz plano em papel? Acha que papel é muito confiável, né? Ok. Faz seu plano aí agora.

— Era o meu refrigerante.

— ESTAMOS FAZENDO DE PLANOS PRA UMA MISSÃO QUE, SE NÃO FOR CUIDADOSAMENTE FEITO, PODE SIGNIFICAR A MORTE DE NÓS TRÊS E VOCÊ ESTÁ PREOCUPADO COM SEU REFRIGERANTE? — Responde o Major elevando o tom de voz.

— Ok, nada de papel, o que sugere então?

— Um tablet pode conter qualquer mapa que você precisar e oferecer muitas outras ferramentas. Aqui está. Agora…

— Um tablet também estraga se você derramar refrigerante nele…

— Marôla, dá pra parar de me interromper? Obrigado. Agora está aqui a planta, qual é o seu plano?

— Como a entrada é a parte mais vigiada, podemos entrar por aqui e…

— Marolinha. — Interrompe novamente o Major. — Está vendo alguma porta aqui?

— Não, Major.

— Sabe por quê?

— Não.

— POR QUE NÃO TEM UMA PORTA AQUI. — Eleva o tom de voz o Major olhando para o Capitão Marôla.

— Eu sei, pai… Mas esses caras fazem reformas e não notificam o governo ou enviam a nova planta para a prefeitura.

— Tá errado, Marôla. Não tem que justificar. A maior virtude de um herói é ter a grandeza de admitir seu errado.

— Eu não tenho problema algum em admitir quando estou errado, só que não é o caso aqui. Já fizemos uma missão de reconhecimento nesse local e vimos que…

— Porra, Marôla! Vai ficar insistindo? Bota a cabeça pra funcionar! Raciocina! Você…

— Eu tenho fotos… — Diz Capitão Marôla em vão.

— MARÔLA, DÁ PRA PARAR DE ME INTERROMPER? DÁ PARA DEIXAR EU FALAR? PORRA!

— Ok… — Responde o Capitão Marôla contrariado.

— MAROLINHA, O QUE VOCÊ ACHA?

— Ahn? Eu? — O ajudante mirim leva um susto e responde hesitante e intimidadamente: — Eu… É… Você está certo, Major.

— TÁ VENDO SÓ, MARÔLA? O GAROTO É INTELIGENTE, TEM BOM SENSO, JÁ VI QUE TEM TODAS AS CARACTERÍSTICAS DE UM GRANDE HERÓI. JÁ VOCÊ, PELO VISTO, NÃO MUDOU NADA.

— Ok, pai… — Concorda Capitão Marôla somente para tentar fazer seu pai parar de gritar no meio do refeitório e parar de atrair o olhar de todos os outros heróis.

— PORRA! FICO PUTO COM ISSO! SOU HERÓI HÁ MAIS DE VINTE ANOS! EU JÁ ESTAVA NAS RUAS QUANDO VOCÊ ERA CRIANÇA E AGORA VOCÊ VAI QUERER DISCUTIR COMIGO? VAI QUERER ME ENSINAR A SER UM HERÓI?

— Por que não usamos aquele plano de novo de eu apagar a luz e você usar o fator surpresa para derrotar os bandidos, Capitão.

— Não, Marolinha!

— Marôla… — Diz o Major mais calmo. — Olha, você já é bem grandinho e já sabe o que está fazendo. Eu te amo, só não quero que acabe se matando nesses planos idiotas que você faz. Você…

— Mas só dá errado por que o Marolinha sempre…

— PORRA MARÔLA, DEIXA EU FALAR! Só quero que tome cuidado, faz pouco tempo mesmo você estava em coma. Foi naquela época que resolvi que poderia voltar e ajudar a Liga, ajudar vocês… Mas você toma as decisões sobre suas missões, até por que não vou estar com você.

— Não?

— Não.

— Vai atuar sozinho?

— Marôla, não voltei pra ser herói, passei da idade disso, agora sou o diretor e coordenador geral da Liga de Heróis Juventude Brasileira. Vou liderar vocês. Agora tenho que ir para a minha sala assinar uns papéis. Até mais! — Major Marôla se levanta e antes de ir embora diz. — E vê se aproveita mais o Marolinha por que senti que o garoto tem futuro!

Major Marôla sai do refeitório enquanto seu filho está imóvel com o olhar fixo no chão.

— Caramba Capitão, seu pai é muito legal!

Capitão Marôla suspira.

FIM.

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